e os especialistas respondem

 

 

1. O que fazer para motivar o meu filho a frequentar as aulas da escola?

A motivação para ir à escola, decorre, principalmente, para a criança, em função da qualidade da interação com os colegas e professores, do tipo de aulas e atividades oferecidas, o quão instigantes elas se mostram, e da maneira que ela está se desenvolvendo na escola, do quanto a criança percebe estar superando os desafios a ela apresentados.

Isso significa que, quando uma criança mostra resistência constante em ir para a escola, os pais devem buscar, rapidamente, as razões para essa atitude, pois se deve ter em mente que a escola é um importante ambiente de sociabilização, onde se processam muitas experiências novas em termos de relacionamento humano e, portanto, sua importância no desenvolvimento da criança não deve ser ignorada.

2. Como detectar, precocemente a dificuldade de aprendizado?

Na realidade, o único jeito de detectar precocemente a dificuldade de aprendizagem é se fazendo presente: Os pais têm um papel fundamental no aprendizado da criança! É necessária, por parte dos pais, uma rotina de busca de informações seja através do relato da criança ou seja através do que se encontra em seus materiais escolares, as tarefas e as anotações de aula, para que se percebam as dificuldades ainda antes das avaliações escolares.

A família engajada na realização escolar da criança pode verificar, com boa margem de acerto, a qualidade do aprendizado da criança e, com isso, evitar a frustração da criança na realização das avaliações escolares.

3. Quais poderiam ser as razões para que uma criança que passa de um ciclo para outro deixe de ter o mesmo desempenho antes apresentado?

Os ciclos apresentam especificidades distintas tanto do que se propõe ao aluno como atividade de ação e reflexão quanto a forma como se lida com ele em termos interpessoais, conduzindo-o, no decorrer do tempo, a assumir mais obrigações e responsabilidades.

Os pais podem observar que, na educação infantil, a criança, no ambiente escolar, inicia o processo de sociabilização, praticando atividades baseadas no concreto e na experimentação.

No primeiro ciclo do fundamental, as exigências são maiores e o comportamento do aluno passa a ser mais delimitado à concepção escolar, é o período dos primeiros conceitos matemáticos, da fluência da leitura e da institucionalização das tarefas de casa.

No segundo ciclo do fundamental, surgem os professores de áreas específicas e, nesse período, ocorre o firmamento da prática da ciência com suas linguagens. O último ano desse ciclo costuma ser particularmente desafiador para os alunos, por solicitar que os conceitos básicos estejam sedimentados, a competência de leitura esteja desenvolvida e o desempenho para a formulação de respostas às perguntas das diferentes disciplinas atenda às expectativas colocadas para a finalização do ciclo.

De maneira análoga ao nono ano, o primeiro ano do Ensino Médio costuma ser um verdadeiro ritual de passagem: A quantidade de temas em ciências, a profundidade com que são abordados e o emprego da matemática como linguagem fundamental para a formulação das respostas exigem maturidade no desenvolvimento cognitivo lógico formal.

Não podemos esquecer que é no período entre o oitavo ano e o segundo ano do Ensino Médio em que os fatos biológicos e psicológicos da adolescência surpreendem as crianças e inauguram novas necessidades, muitas vezes de maneira angustiante pela dificuldade que encontram para a compreensão das transformações a que se sujeitam.

Dessa maneira, os pais e familiares precisam compreender que não existe a figura do bom aluno ou do mau aluno, existe, sim, a necessidade de se cumprir a tarefa de acompanhar sempre a atividade escolar, inclusive e muitas vezes com o auxílio de um profissional habilitado a prestar atendimento nas áreas afins à educação.

4. Que atividades fora da escola podem contribuir com as atividades escolares?

Todas as atividades sadias que se desenvolvem fora da escola contribuem para o desempenho escolar, sejam elas esportivas, sejam de confraternização familiar, sejam experiências de viagem, sejam as realizadas em cursos de idiomas, computação, robótica etc. A questão é compartilhar de forma racional o tempo despendido para cada atividade: A criança não pode ser submetida ao stress e à fadiga. Deve-se lembrar que 8 horas devem ser reservadas ao repouso, 4 horas devem ser reservadas ao convívio com familiares e amigos, nas demais 12 horas, quando ocorrem atividades que demandam aprendizado, para cada hora de aprendizado (aula) é necessário atribuir uma hora de prática de exercício. Assim, se o aluno tem 4 horas de aula, terá de ter 4 horas de estudo: É fundamental fazer contas, quando se trata de instituir uma atividade nova!

5. A partir de que idade vale a pena ter um auxílio de um professor mentor?

Quando pensamos em um profissional que acompanhe o aprendizado de nosso filho, temos a inclinação a pensar que se trata de suprir uma deficiência dele, que pode ser fruto de negligência ou preguiça. Nem pensamos que essa má vontade pode ter uma razão mais profunda e, por conta de acharmos natural o surgimento de dificuldades, tratamos de esperar para ver se ele se recupera por conta própria. 
Ao raciocinarmos assim, reforçamos a idéia de que só se necessita de alguém para ajudar a resolver a necessidade dele em última hipótese. Isso não é bom!

Se eu perguntasse a alguém quando ou em que idade vale a pena ter um amigo, responderiam todos aqueles para os quais eu perguntasse que, em todo e qualquer momento, uma companhia de boa fé soma. Um médico, sempre que se tem dúvidas sobre a saúde, se faz necessário. Um professor, sempre que se tem dúvidas sobre o que se aprende, se faz necessário. O que é para o bem não tem idade, quando se tem a necessidade deve se buscar o remédio de imediato, sem hesitação.

6. Crianças e jovens com facilidade em alguma matéria tendem a ficar preguiçosos?

Só tendem a ficar preguiçosos aqueles que não são colocados diante de desafios proporcionais à sua capacidade. Imagine que sejam oferecidas a você tarefas que, para o seu porte físico ou intelectual, praticamente, não demandam esforço algum, com uma disponibilidade de tempo muito maior do que o necessário para a execução delas. Se isso ocorrer apenas uma vez, você até procurará fazer as tarefas com mais cuidado, aproveitando o tempo que sobra, entretanto, se esse fato for constante, a sensação de monotonia tirará o prazer de realizar a tarefa.

Uma criança ou jovem talentoso deve ser, o mais rápido possível, colocado a fazer tarefas proporcionais ao seu desempenho e estimulado a se desenvolver nas áreas que tem mais dificuldade, ocupando horários ociosos.

7. Como estimular uma criança a se dedicar mais a uma disciplina de que não gosta?

Em geral, as disciplinas que as crianças não gostam são as mesmas que seus pais não mostram ter prazer em discutir sobre elas. Pode ser genético, mas pode ser que a falta de oportunidade de se encontrarem estratégias de aprendizado durante a formação dos pais tenha deixado marcas no futuro da família: Os assuntos que não foram compreendidos pelos pais durante a sua formação deixam de fazer parte das conversas que realizam com seus filhos e, quando são questionados sobre eles, as respostas que oferecem são superficiais e insuficientes para instigar o interesse das crianças.

Assim, o auxílio profissional adequado pode contribuir para o desenvolvimento da criança frente a uma disciplina para qual não apresenta interesse, oferecendo estratégias que facilitem a compreensão dos conceitos e favorecendo a integração dos temas dessa disciplina aos assuntos de que ela gosta.

8. Meu filho diz que não entende nada do que o professor fala em aula. O que eu devo fazer?

Bom, quando a dinâmica da aula não é suficiente para promover a compreensão por parte do aluno, antes de se questionar sobre a competência do professor, deve se procurar um professor que auxilie o estudo do aluno fora do horário escolar.

Se isso não for feito, o aluno que poderia ter uma dúvida pontual rapidamente solucionada, passará a se defasar mais e mais até se desinteressar completamente pela aula  dessa disciplina.

Para piorar a situação, quando o aprendizado de uma disciplina é muito comprometido, a recuperação exige grande esforço pessoal que poderá, inclusive, comprometer o desempenho em outras disciplinas que, de princípio, não eram alvo de dúvidas e não ofereciam dificuldade para o entendimento. 

9. "Branco na prova", o que pode ser isso?

Ansiedade. Curiosamente, diferente do que pensam muitos, a ansiedade, o pavor que supomos existir apenas durante a realização de uma prova, não é a principal causa do "branco", daquele esquecimento total do que foi estudado.

A principal causa do "branco" é a ansiedade durante o estudo, o receio que afeta o estudante, durante a realização das tarefas e da preparação para as provas, de não estar atingindo o resultado que as pessoas que cuidam dele e estão ao seu lado esperam.

Muito podem auxiliar um psicólogo e um professor tutor. Entretanto, a atitude da família também é importante para reduzir a ansiedade do estudante.